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Eu, coruja...

Eu, coruja...
Observo o que ninguém vê.

quinta-feira, 25 de março de 2010

DE BURCA...


A adolescente 23225, de 15 anos, alega ter sido estuprada no Hospital Psiquiátrico Pinel, em Pirituba, São Paulo.
O estupro teria ocorrido no dia 21 de fevereiro último, pelo segurança da guarita 2 daquele complexo.
A menina está lá desde os 11 anos, quando teria sido internada por "transtorno de conduta". Recebeu alta logo depois, mas a família não a queria e não foi buscá-la. Desde então, ela vive no manicômio com outras crianças e adolescentes com quadros agudos, numa ala fechada e medicada com drogas usadas em pacientes psicóticos.
Quem é 23225?

Mulheres, no Afeganistão, são mulheres como outras quaisquer - são crianças q se tornam adolescentes sonhadoras e, ao chegar à "idade certa" se casam e têm seus filhos. Mas não podem fazer coisas simples como brincar num parque, correr e se jogar com as crianças na grama, de pernas 'pro ar, porque seu traje não permite - estão debaixo de uma burca. Estudar, ser examinada por um médico - coisas fundamentais que lhes são negadas, porque não são consideradas "gente". São reprodutoras, apenas. Seus filhos, em caso de separação ou qualquer situação semelhante, não lhes pertencem - são da família do marido.
Não podem pintar suas unhas de vermelho - sob pena de lhes amputarem os dedos. E se, 'numa infelicidade, pisarem n'alguma mina e perderem uma perna - afinal, debaixo daquela burca, não é lá muito fácil saber por onde se anda - jamais poderiam ser operadas por um homem e, na falta de profissionais qualificados do sexo feminino, seus ferimentos são mal e porcamente tratados, podendo levá-las à morte por infecção. É claro que temos casos não tão graves onde se ajeita uma prótese de qualquer tamanho e esta sempre lhe será desconfortável por não ter sido projetada 'prá ela...

Há países, na África, onde desde cedo se coloca nos pescoços das meninas anéis que vão aumentando em quantidade até chegar à idade adulta. São as chamadas "mulheres girafa". O interessante desse hábito bizarro é que, em caso de adultério ou a suspeita deste, os anéis lhes são retirados e seus pescoços, que não têm a musculatura desenvolvida adequadamente por conta dos tais anéis, pende grotescamente, provocando sua asfixia seguida, é claro, de sua morte.

Em outros países do continente africano de maioria muçulmana, ainda tem-se o hábito de retirar o clitóris da menina quando esta chega à puberdade. Tudo é feito num ritual "de passagem": a menina fica 'numa cadeira ginecológica de pernas abertas, enquanto o sujeito lhe corta fora o pequenino e mais sensível órgão de seu corpo, diante de uma platéia FEMININA que comemora aos gritos e louvores enquanto a menina tem talvez a pior dor - física e moral - de sua vida. Isso é feito, ao que parece, com o intuito de que ela não tenha desejos sexuais e, portanto, não venha a ter uma conduta considerada sexualmente inadequada.
Imaginem se falassem em PONTO G e outras coisas mais...

Até bem pouco tempo atrás, uma mulher, no Japão, não poderia caminhar a menos de dois passos do marido, em público. O interessante é que uma gueixa gozava de muito prestígio, podendo caminhar ao lado do homem.

Em Natal, João Pessoa e Fortaleza - são apenas alguns exemplos - temos mães que vendem suas filhas de nove ou dez anos a qualquer turista extrangeiro em troca de algumas cervejas.

Há pouco tempo, três meninas, no interior do Brasil, foram estupradas, barbarizadas, espancadas e tudo isso foi postado na internet. Seus agressores estão soltos porque o juiz entendeu que elas estavam se prostituindo.
É DE CRIANÇAS QUE ESTAMOS FALANDO.
E ainda cabe aqui a pergunta: um homem paga 'prá ter sexo com uma mulher e isso a torna COISA, em vez de pessoa? Então ele paga e pode dispor como quiser dessa mulher??...

Li, por esses dias, o resultado de uma pesquisa com 3000 moças de até 24 anos na Inglaterra. Uma em cada dez disse ter feito sexo com mais de 10 parceiros. Homens responderam a essa pesquisa chamando-as de vagabundas.
Isso ainda existe???
Então, no século 21, ainda somos chamadas de vagabundas porque gostamos tanto de sexo quanto os homens?
Ainda permanece o conceito dos dois tipos de mulheres: Maria Madalena e Maria, mãe de Jesus. Conceito católico mas que se espalha por praticamente todas as culturas. Irreal, tendo em vista que nenhum dos dois estereótipos corresponde à mulher de verdade.
Talvez devessem nos queimar nas fogueiras? Talvez enfiar anéis em nossos pescoços? Ou quem sabe deviam nos arrancar os clitóris??

É cansativo ouvir falar de direitos das mulheres e ver que elas continuam apanhando e morrendo; meninas continuam sendo vendidas e estupradas e ainda estamos em situação privilegiada em relação a outras mulheres de lugares outros.

Não podemos esperar que venha dos homens essa mudança - sejam eles de qualquer instância. Isso deve partir de nós e temos vários exemplos de mulheres que batalharam e mesmo se arriscaram e morreram pelos direitos de todas. Mas, ao que parece, não foi ainda o suficiente 'prá que entendêssemos que precisamos nos unir realmente, caminhar juntas e brigar juntas ou essas coisas todas continuarão acontecendo - hoje com outras, amanhã com você ou comigo. Quem será a próxima anônima a ser estuprada, humilhada verbalmente ou fisicamente - quem será a próxima a morrer assassinada por motivos fúteis??

Penso que as mulheres muçulmanas não são as únicas a vestir uma burca.
Na verdade, cada vez que nos calamos diante de toda essa violência - física e moral - vestimos também nossa burca.

23225, seja qual for o seu nome, esse desabafo eu fiz por você, que bem podia ser eu ou minha filha.
Eu fico por aqui, esperando não ser a única indignada.

Jordana Lima duarte.

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